Para os que desejam se transformar em profissionais da escrita

Nova turma começando em 4 de julho, na LabPub. Curso totalmente online e ao vivo, com a participação dos alunos via chat. Com muitos exercícios e dicas de leitura. Muito procurado também por aqueles que querem escrever seus próprios livros em autobiografias ou livros de memória. Matrículas com desconto até o final de maio.

Adeus Lygia

Minha homenagem à melhor contista brasileira que nos deixou ontem. Esta minha crônica está na antologia de mesmo nome lançada pela Lavra Editora há um ano.

Um mar vivo de corações expostos

22 de novembro de 2009. O domingo amanheceu nublado, um convite para ficar em casa curtindo preguiça. No entanto a primavera paulistana fervilhava de eventos culturais, entre eles a Balada Literária organizada por Marcelino Freire. E eu não perderia por nada a mesa em que a escritora Lygia Fagundes Teles dividiria com Benjamim Moser (autor da biografia de Clarice Lispector) e o cronista Mário Prata, sempre bem-humorado.

Bela e classuda nos seus 86 anos, a presença de Lygia ampliou e elevou a média etária do público, atraindo seus fãs de décadas e jovens sedentos em vê-la de perto. E foi um bate-papo delicioso. Perguntada sobre o futuro da sua obra, ela afirmou que isso é questão dos herdeiros, no caso, as duas netas que cuidarão do seu legado quando for a hora.

A questão tirou por instantes o brilho daquele olhar. Para onde terá ido no breve momento? Estaria Lygia se referindo aos dois maridos falecidos (Gofredo da Silva Teles e João Paulo Salles Gomes)? Haveria revolta por eles terem-se ido antes dela? De qual dos companheiros sentiria mais saudade? Mas logo explicou com palavras acinzentadas que se referia aos colegas que deixaram este plano “é um mar morto de escritores”. Melancolia que corrigiu imediatamente ao afirmar, matreira, “mas vocês fiquem tranquilos, viu? Apesar de estar com as pernas fracas (referindo-se à fratura recente e à necessidade da bengala) espero ainda viver muito”, seguido de um sorriso cativante, meio que garantindo pretender seguir brincando com as palavras e ideias (*).

A presença de Benjamin Moser fez Lygia relembrar Clarice, prematuramente falecida aos 57 anos, e dividir com a plateia detalhes dos encontros com a amiga “perto demais do coração selvagem” durante viagens de eventos literários.

Lembrou carinhosamente das falhas de dicção da colega ucraniana/ brasileira, o que ela chama de “língua presa”, e se divertiu em revelar as recomendações que Clarice sempre lhe fazia. Por exemplo, “Lygia, tirrre esses vincos da testa e vista brranco parra conseguirr leveza”. Daí a camisa branca por baixo do blazer, singela homenagem à amiga.

E assim, num descortinar informal, Lygia se apoderou das atenções e foi deleitando o público com memórias da sua juventude de moça humilde que publicou, aos 15 anos, o primeiro livro de contos patrocinado pelo pai. Falou do emprego no Departamento Agrícola do Estado de São Paulo que rendia o salário de 400 mil réis dividido com a mãe recentemente separada do pai. O restante do tempo e do dinheiro eram destinados para os dois cursos que fazia simultaneamente: Educação Física e Direito.

Contou que Clarice, sempre irreverente, nunca se conformou com sua vida de mulher certinha, que nunca teve um amante, por exemplo. “Não houve tempo, fiquei viúva cedo e logo me casei de novo”, desculpava-se Lygia com a amiga. Clarice também não compreendia o interesse na atividade física. “Foi um esforço enorme fazer os dois cursos paralelamente, mas eu acredito mesmo que toda moça deve exercitar o corpo com a natação, a ginástica e os jogos”.

Lygia encantava-se com os esportes de competição. E foi bem nessa hora, ao se lembrar das orientações do mestre nas aulas de esgrima que ela mostrou a sua porção poeta. Nos treinos, o professor dizia “Menina, proteja-se, seu coração está exposto”. Ao que ela completou, “não adiantou nada o que ele me ensinou, pois meu coração continua exposto, até hoje”. Felizmente para nós, seus leitores. E mais ainda para todos os privilegiados que tiveram a oportunidade de vê-la de perto na sua elegância bem-humorada. Um mar vivo de corações tão expostos como o daquela dama na tarde de um domingo pra lá de especial.

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Em julho, nova edição do curso GHOSTWRITING & BIOGRAFIAS

Ministro este curso desde 2011, e cada vez ele vai atraindo mais pessoas de diferentes formações que gostam de escrever e querem se capacitar para fazer isso profissionalmente.

Nas aulas, com muitos exercícios, aprendemos a ouvir e a coletar o conteúdo do outro para fazer um livro com a cara, a voz e a respiração dele. Afinal, esse é o maior desafio de um ghost writer.

Mas esse curso atrai também aqueles que sonham em escrever biografias de personalidades, parentes ou até mesmo personagens da história, ou que adorariam contar sua própria história de vida em um livro autobiográfico, ou ainda partir para produzir literatura baseada em memórias de forma a encantar o leitor.

Mais informações aqui https://www.labpub.com.br/ghostwriting-biografia-como-transformar-a-historia-de-outro-em-livro/

Lições vindas do Japão e o poder das palavras

Estas Olimpíadas ­– que sinceramente acho que deviam acontecer só ano que vem – não estão ainda conseguindo atrair a atenção dos brasileiros, mais preocupados com a sobrevivência durante a crise sanitária. No entanto, mesmo levando adiante o evento em um momento impróprio, o Japão está dando um belo exemplo de modelo de sustentabilidade e de respeito para com o ambiente.

E são vários os diferenciais. As camas dos atletas foram feitas em papelão, e serão posteriormente recicladas. As 5 mil medalhas foram fabricadas inteiramente a partir do lixo eletrônico recolhido pelo Japão durante dois anos (foram 79 mil toneladas de entre câmeras, videogames, computadores e até aparelhos celulares doados pela população, incluindo as 32 toneladas de ouro e milhares de quilos de prata e cobre).

A tocha olímpica, inspirada na flor de cerejeira, foi feita a partir de alumínio reutilizado dos alojamentos temporários que abrigaram as vítimas do terremoto seguido de tsunami que atingiu a Ásia em 2011. E os pódios foram construídos com plástico recolhido do mar e das residências.

Será a olimpíada mais ecológica da história. A vila olímpica, os ginásios e até a tocha serão alimentados por energia limpa. Na linha da sustentabilidade, os 500 veículos usados para transportar os atletas e equipes, mais os ônibus que circulam por Tóquio serão abastecidos de hidrogênio, e o objetivo é alcançar 100% de energia renovável, sem poluição alguma para o meio ambiente e colaborando com a redução do aquecimento global.

Temos muito a aprender com esse povo gentil e disciplinado que acredita que as palavras têm alma. O termo “kotodama” (言 霊) significa “espírito da palavra” (koto = linguagem, palavra e dama = espírito, alma) é uma antiga crença shintô sobre o poder divino das palavras japonesas. 

Todos os seres humanos são capazes de criar um mundo esplêndido, repleto de alegria e beleza a partir do uso repetitivo de palavras sagradas e de alta dimensão. Mas o passar do tempo nos brutalizou, e a maioria de nós esqueceu o propósito original e o poder das palavras. Segundo estudiosos, ao longo dos séculos, caímos no hábito de usar termos negativos, palavras escuras capazes de gerar sentimentos desagradáveis aos outros.

O espirito das palavras também se faz presente nas culturas hindu, tibetana, nepali, chinesa e diversos outros países que partilham a espiritualidade budista. Os mantras são uma expressão pura e divina da palavra que ressoa harmonicamente com o universo.

Segundo essas culturas, as palavras possuem um poder imenso, tanto para dar forças a alguém, como para ferir ou derrubar uma pessoa. As palavras podem começar uma guerra ou iniciar um processo de paz. E cá entre nós, com tanta barbaridade vindo de Brasília, estamos muito precisados de boas palavras. Que elas venham então da Terra do Sol Nascente.

Crônica publicada originalmente no site Crônicas Olímpicas

Novo livro de crônicas

Feliz de integrar esse time de jornalistas/cronistas

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JORNALISTAS LANÇAM LIVRO DE CRÔNICAS EM SÃO PAULO

Um mar vivo de corações expostos é um livro de crônicas de quatro jornalistas, muito conhecidas na imprensa paulistana. O lançamento on line será no dia 18 de março de 2021, quinta-feira, às 18 horas no Facebook da Lavra Editora.

Algumas das crônicas são inéditas, outras já foram publicadas no Escritablog, pilotado pelo escritor e jornalista Wladyr Nader, o mesmo que publicou muitos dos escritores mais conhecidos e premiados de hoje em sua revista Escrita, que fez história nos anos 1970/1980.

As cronistas são: Eliana Haberli, Elizabeth Lorenzotti, Nanete Neves e Teresa Ribeiro. Elas abordam nessas crônicas problemas do país, das cidades, reminiscências pessoais, viagens, dificuldades cotidianas, os tempos de pandemia e seus contratempos, o medo da morte, a beleza da vida, os desafios de ser mulher em pleno século XXI.

As autoras brindam os leitores com um texto leve e fluente, mesmo nos temas mais espinhosos, tratados com muita sensibilidade e um toque de poesia ou bom humor, como pede a crônica moderna.

Capa e ilustrações são do cartunista e ilustrador Franco de Rosa, apresentação de Wladyr Nader e o prefácio, do escritor e presidente da UBE, Ricardo Ramos Filho.  

Uma leitura imperdível!

Um mar vivo de corações expostos

Autoras:  Eliana Haberli, Elizabeth Lorenzotti, Nanete Neves e Teresa Ribeiro

224 páginas – R$ 40,00

Publicação – Lavra Editora

Lançamento online – 18 de março de 2021 (quinta-feira),

Às 18 horas, pelo Facebook da Lavra Editora

Lavra Editora – Tel e whatsapp – 11 993018587 –

Email:editoralavra@gmail.com e  facebook: @LavraEditora

Emoções narradas com precisão cirúrgica

O mais recente livro da escritora paranaense Marilia Kubota, o “Eu também sou brasileira”, provocou uma revolução dentro de mim, e tão forte que me deu vontade de voltar a resenhar livros, coisa que fiz muito na imprensa décadas atrás. Desde que resolvi mudar de área e fui me capacitar para atuar profissionalmente no mercado editorial, como autora, editora e preparadora de textos, não me sentia à vontade para resenhar livros. Mas Marilia mexeu comigo de uma forma tão profunda, até difícil de explicar.

Tomei contato com essa autora nas movimentações do Mulherio das Letras, um movimento nacional, do qual faço parte, e tive o prazer de conhecê-la pessoalmente numa de suas vindas a São Paulo. E fiquei pasma ao descobrir que ela conhece mais da literatura marginal e dos saraus de Sampa do que eu, que sou nascida e criada nesta cidade maluca.

Nesse livro de pequenas e certeiras crônicas, intercaladas com delicados fragmentos de memória, Marilia nos dá uma aula de precisão e contenção da emoção na medida exata. Nada em sua escrita passa do ponto, nenhum adjetivo a mais, nenhuma gordura, o que contribui para sua escrita que eu chamaria de “poesia direta”.

Ela já mostra ao que veio logo na orelha da publicação, ao dizer que nasceu e foi criada em uma família de ascendência japonesa, mas só depois da comemoração dos 100 anos da imigração japonesa no Brasil, em 2008, passou a reivindicar sua identidade brasileira, e encerra dizendo “Acredito que muitos brasileiros de etnias asiáticas desejam pertencer ao país em que nasceram”.

Em seus textos, ela delicadamente vai tratando de temas como preconceito e inclusão, paixões e distâncias. No prefácio, Maria Valéria Rezende define a obra como uma coletânea de crônicas memorialísticas como um guia para se tornar brasileiro, na recuperação das contribuições de nossas ancestralidades. E acho que esse foi exatamente o ponto que mais me tocou.

Ainda durante a leitura, eu tinha vontade de contar pra todo mundo esse achado e sugerir seu livro. Agora que o concluí me senti no dever de compartilhar essa emoção desejando que mais e mais pessoas conheçam a obra dessa autora tão especial.

Marília Kubota

Eu também sou brasileira

104 páginas

Lavra Editora 2020

Deus dorme demais

Com tanta coisa acontecendo aqui embaixo, Deus só pode estar dormindo um longo sono pra não nos acudir. Ou quem sabe, tirou um período sabático, depois de tanto esforço, para não fazer nada. Penso que talvez esteja apenas distraído e qualquer hora destas Ele volte seu olhar para cá. Vejo os números de mortos e me confundo com eles, estatísticas soam tão frias. Tanta gente se indo, e nada podemos fazer, exceto seguir com o isolamento, o cuidado com a gente mesmo e com o outro.

Queimadas descontroladas aqui acabando com o que temos de mais precioso, explosão no Líbano, nuvens de gafanhotos, alterações climáticas, ciclones bomba que tendem a ser mais frequentes, ataque de vespas que dizimam abelhas e o futuro alimentar da humanidade, liberação e uso indiscriminado de agrotóxicos, a fome e a Aids matando mais que a Covid na África…. O que mais virá?

Quando a angústia aperta, chego a imaginar que tudo isso é um experimento d’Ele nos colocando à prova, depois do tempo tanto em que vivemos em uma aceleração desenfreada de consumo e egoísmo. Quem sabe esse vírus amedrontador seja apenas uma tentativa d´Ele de nos fazer entrar em contato com o nosso íntimo pra descobrirmos o que de fato é importante e essencial. Talvez fosse mesmo hora de parar. Mas e as crianças sem escolas, brincadeiras no play e o contato com os mestres? E os jovens em época de tentar entrar numa faculdade. Que mal eles fizeram para serem punidos tão severamente?

Pode ser também que Deus esteja fraco e não dando conta de cuidar de todos os seus filhos espalhados por esse mundão, cada um com suas dores, carências, pecados e faltas, muitos não sabendo lidar com tanta carência e injustiça. Vai ver exaurimos nosso Pai com tantos pedidos frívolos, taxando como primordiais as nossas necessidades muitas vezes tão banais e egoístas. É, Deus pode estar atolado.

A Bíblia já previu o fim dos tempos. Esticamos a corda ao limite máximo. Será que a previsão era de acontecer agora? Escritores e músicos criaram obras que hoje poderiam ser chamadas de proféticas, como esta linda canção de Lenine, “Paciência”, lançada em 1999 em seu álbum “Na pressão”:

Enquanto todo mundo espera a cura do mal

E a loucura finge que isso tudo é normal

Eu finjo ter paciência

E o mundo vai girando cada vez mais veloz

A gente espera do mundo e o mundo espera de nós

Um pouco mais de paciência calma

Tem vezes que quero desligar os pensamentos, mas não consigo. Eles me perseguem e nem o trabalho, os livros, a música e o tricô (ao qual recorro quando o bicho pega mesmo), têm me ajudado a desanuviar.

Nessa desconcertante mistura de obstinação e tristeza, é difícil demais lidar com a saudade dos filhos, amigos, eventos, abraços e toda a sorte das boas coisas da minha vida de antes. Só me resta aceitar que nada mais será igual, e já ir pensando em como eu quero que sejam os meus dias quando tudo isso acabar e um novo futuro para a humanidade começar. Seja ele do jeito que for.

(*) Aqui o link para ouvir essa música inteira   https://www.youtube.com/watch?v=2W3O_zz-T00

PanaCota Literária

Há 15 anos deixei o jornalismo de lado e fui me capacitar para trabalhar com textos e livros, a minha paixão. Agora queria compartilhar com vocês a alegria de lançar hoje – ao lado da amiga e escritora Paula Bajer – o PanaCota Literária, que semanalmente vai trazer assuntos do mundo dos livros e dos leitores. E com episódios curtos, cerca de 10 minutos cada, para quem não tem tempo a perder, mas quer estar atualizado.

O episódio de estreia volta seu olhar para o futuro e traz entrevista com Luiz Bras (Paisagem Personas), querido mestre de tantos de nós e pesquisador da Ficção Científica Brasileira.

O PanaCota está no YouTube e no Spotify para você curtir, seguir, se informar e… se divertir.

https://youtu.be/yF4rRwGva4k

https://open.spotify.com/show/4UgyotKD0i7lHpV75Ufb4U…

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