A chama emprestada

Um dia de cada vez

A vida é uma chama provisória. Uns simplesmente a deixam queimar tranquilamente até se extinguir: um viver sem ousadias ou grandes pulos, mas também sem sobressaltos. Outros têm tantos projetos e sonhos que a assopram buscando aumentar a energia de cada dia. Existem os que mantém a chama encarnada, sempre cuidando de deixar uma reserva para o amanhã. E aqueles que consomem tudo sem se preocupar com o futuro. Mas não importa quando, nem como a deixamos entrar, a idade chega. Velhice é ir se despedindo das coisas, aos poucos. Por que não tem jeito, ser velho é todos os dias. Então, meu bem, melhor é se conformar que o tempo não corre a nosso favor. Parece sempre um rio voltado pro lado de lá. Mas sempre em movimento, é isso o que importa. Um dia de cada vez, aproveitando-se o máximo cada minuto emprestado do infinito.

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12 respostas em “A chama emprestada

  1. Sim, Nana. E refletindo parecido, escrevi há pouco tempo lá no blog: ‘viver talvez seja uma discreta precipitação da eternidade’.

    É preciso aproveitar esse ‘desequilíbrio’ antes que a eternidade retome o sono.

    Feliz 2013! beijo

    • Que lindo teu comentário, Santana. Só um poeta como você para contribuir para a reflexão com “antes que a eterninade retome o sono”. Me fez viajar aqui. Beijão querido e que teu 2013 seja um ano para recordar!

  2. Nanete, querida:
    Fazia um tempo q não te visitava aqui e sempre é a mesma alegria: achar textos profundos, reflexivos e emocionantes!
    Saber envelhecer é uma ciência mesmo, precisamos estar atentos a cada mudança, que é constante em eterno ‘movimento’ como vc bem disse. Ontem acabei de ler o maravilhoso romance de Lya Luft, O tigre na sobra, e queria citar um trecho que ‘conversa’ com sua crônica:
    “Talvez eu não precise saber o que fazer. Talvez não haja nada para ser entendido. O mar vai e vem, e vem e vai, e no seu tumulto permanece, enquanto nós humanos lutamos, queremos descobrir, achamos que sabemos — e a um embate de água e espuma tudo se desmancha como se nem tivesse existido.
    Castelos de areia, bichos formados com conchas e ilusão.”
    Um beijo carinhoso e saudoso
    Maurício

    • Por isso é que tenho orgulho dos amigos que conquistei. Maurício, que linda tua contribuição trazendo mais lenha pra discussão com esse recorte da Lya Luft: “Talvez eu não precise saber o que fazer”. Linda essa paz que ela propõe. .

    • Que bom, Kianja, que fiz pensar uma leitora atenta como você. Tem texto que é assim, repousa primeiro, e depois encontra um eco. Esse me saiu de um jeito tão despretencioso, como que pensando alto. Alguém o levou pro Face e está dando uma repercussão danada. Fico feliz. Obrigada pela visita.

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