Banal

tiro ao alvo

Um tiro constrange a tarde. Na trajetória do ataque, o garoto tomba.

Um tiro por um vintém, certeiro, atalha a distância. Tirania de festim, sorteio.

Um tiro chutado, de escanteio no time dos maletrados.

Um tiro, um toque, atalho a encurtar a traiçoeira trilha pro túmulo.

E a tarde continua.

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18 respostas em “Banal

  1. Nanete! Now we’re talking! Poesia forte, embrulhada com lixa número 3. Não dando chance para nenhum leitor dizer algo como, “ai que lindo!”.
    Poesia que acerta direto na parte sombria de nosotros. Poesia com punch!
    Sensacional!
    Há!

  2. Você conseguiu registrar a banalização da violência, como se nada tivesse acontecido. Lembrou-me demais algo um post que vi publicado hoje no FB, de um pessoal tomando cerveja nas mesinhas próximas à calçada, enquanto um cadáver jazia coberto no chão. Poema preciso, com um título certeiro! Adorei, Nanete!

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