Água

na manhã gelada

a corrente mansa

em seu murmúrio molhado

descia lambendo os seixos

 língua doce, encantada

fazia uma trança

Beleza tão linda

juro, me tirou dos eixos

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Pensamentos sem fronteiras

Um dos meus escritores favoritos é o moçambicano Mia Couto. Com seus livros eu viajo montada em sua poesia para outros mundos e desvendo camadas dentro de mim mesma que muitas vezes desconhecia. Por isso fiquei emocionada com esta palestra que ele deu em novembro último, durante o evento “Fronteiras do pensamento” realizado aqui no Brasil, em Porto Alegre.

Destaque para a sua colocação: “Confundimos ideias novas com informação recente”. E com toda propriedade, pois somos atolados com dados a todo momento, mas leva anos para formarmos, de fato, opinião sobre determinado assunto. Só a maturidade aprofunda a reflexão e traz a calma que é o oposto da opinião apoiada em conhecimento de verniz.

Oca

Oca

boca de beijar

boca de lamber

de chupar

sentir

boca de sussurrar

de acarinhar

gemer

conquistar

boca de falar

de gritar

requisitar

surtar

boca de não engolir

talvez até verter

será anorexia

ou falta temporária

de poesia?

(*) Doodles eyes, desenho da inglesa Abe.