Participações em feiras

O livro “O Poeta e a foca”, em que conto a façanha de ter sido o primeiro repórter a conseguir uma entrevista com Carlos Drummond de Andrade, em 1975, continua rendendo. Ele está esgotado fisicamente, mas pode ser baixado no celular e ouvido como audiolivro  https://www.tocalivros.com/audiolivro/o-poeta-e-a-foca-nanete-neves-zeza-motta-flavio-costa-pasavento

Esta semana participo da 2ª FliCristina – a Feira do Livro de Cristina (de 6 a 10 de setembro), a acolhedora cidade Imperatriz do sul Minas, onde terei a honra de ser entrevistada por Marcelo Azevedo, também jornalista e secretário de Educação daquela acolhedora cidade. Drummond é o tema do evento este ano que reúne escritores e profissionais do mundo do livro incríveis. Veja a programação:  https://flicristina2017.wixsite.com/flicristina2017/ingressos

E, virando o mês, em 2 de outubro, participo do 8º Salão do Livro de Presidente Prudente que este ano integra as comemorações do centenário daquela grande cidade que é hoje um dos principais polos econômicos, educacionais e culturais do Estado de São Paulo.

Capa O Poeta - baixa

 

 

 

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Desvendando o mundo do ghost writer

(*) Aqui a entrevista que dei para o blog literário Prosa Mágica da escritora Soraya Felix, a quem agradeço pelo espaço e o carinho.

Não adianta tentar “caçar” um ghost writer, eles nunca se mostrarão nem a luz do dia, nem da noite. Mas eles podem estar escondidos na biografia maravilhosa que você acabou de ler, naquele famoso best seller de auto ajuda que está na mídia há meses ou quem sabe naquele livro técnico que você comprou para compreender um assunto de sua área profissional. Você não sabe e nem nunca saberá.
Nanete Neves é um destes seres, que povoam as prateleiras das livrarias com seu talento, técnica, paciência e por que não dizer, desprendimento.
Formada em jornalismo e pós-graduada em Formação de Escritores e Criação Literária, Nanete já publicou quase 20 livros de não ficção para editoras como Campus Elsevier, Larousse, Planeta e Saraiva, todos como ghost writer.
Mas ela também assina seus próprios livros como o Lavoura Dourada, um livro-reportagem que fala sobre a saga dos produtores de tabaco do Sul do Brasil dentre muitos outros.
Conheça um pouco da profissão de Nanete e da apaixonante entrevista que deu ao Prosa Mágica.
SF. Eu vi você falar com paixão sobre sua profissão em uma palestra. Você poderia nos explicar o que é um ghost writer e como ele trabalha?
NN. Tenho mesmo paixão por tudo que se refere à literatura, leitura e escrita, e por isso eu me capacitei para estar preparada. Quando a vida me abriu a primeira oportunidade, eu me agarrei a ela e atuo nesse mercado desde 2005. E um ghost nada mais é que um profissional contratado para tornar reais projetos de livros de não ficção. A coisa funciona mais ou menos assim: as editoras convidam determinadas personalidades que têm o que dizer para fazerem seus livros. Quando esses “autores” não têm tempo para isso ou simplesmente têm dificuldades em escrever, as editoras oferecem um ghost para ajudar na tarefa. Ele é um profissional altamente capacitado para transformar o conteúdo daquele autor em linguagem. E mais: todo ghost tem que ser um editor. As editoras pagam muito bem por isso, mas ao cabo, esperam um livro absolutamente pronto, editado e já aprovado pelo “autor”.
SF. Um escritor deseja o reconhecimento do seu público. Você pode nos explicar como é esta relação de ser invisível e ao mesmo tempo ser escritora. Por que você escolheu ser um ghost writer?
NN. Gosto de contar histórias, mesmo que sejam as dos outros. Venho do jornalismo, onde aprendi a tirar as informações das pessoas, a pesquisar, a seguir minha intuição e, sobretudo, a escutá-las com atenção. Isso tudo ajudou a me aperfeiçoar como ghost, me dando agilidade e uma boa margem de acerto na hora de redigir e editar.
Atuo como ghost writer com o maior prazer e isso é muito sincero. Não me sinto autora dessas obras porque eu não vivi aquelas vidas nem acumulei aqueles conhecimentos. Aqueles livros são deles. Eu apenas transformei em palavras o que queriam dizer, no tom e no timbre de cada um. Aliás, esse é o maior desafio para todo ghost. Ganho por empreitada, e bem aliás, uma vez que essa é uma atividade muitíssimo bem remunerada. Nessa função, o reconhecimento dos autores e das editoras já me é suficiente. E, quando tenho o que dizer e quero contar minhas próprias histórias, parto para fazer a minha própria ficção. Simples assim. Meu ego é resolvido.
SF. Há formação específica para ser um ghost writer? Qual?
NN. Na época em que comecei não havia curso algum no Brasil voltado para essa capacitação, então tive que aprender sozinha, ralando e estudando muito. Fui ouvinte e aluna especial de várias matérias na pós-graduação da ECA- Usp, e fiz duas especializações na área de literatura. Mas esse conhecimento não seria suficiente se eu não fosse uma leitora assídua e crítica. Costumo dizer que só quem lê é capaz de escrever bem.
Muita gente me pedia dicas e orientação até que, em 2011, sentindo esse vácuo no mercado, aceitei o convite da Rosângela Petta, diretora da Oficina de Escrita Criativa para formatar o curso de Biografias & Ghostwriting. Ele é semestral e visa capacitar profissionais para esse mercado cada vez mais em expansão.
 SF. Em linhas gerais um ghost writer pode escrever qualquer gênero, como a ficção, ou o trabalho acaba sendo específico dentro de áreas como a biografia, trabalhos científicos e técnicos?
NN. O ghost atua unicamente no seguimento da não ficção, em vários gêneros: livros de memórias, autoajuda, autoajuda empresarial, didáticos, autobiografias, trabalhos científicos, técnicos, discursos, artigos para jornal, etc. É possível trabalhar como o Ewan McGregor naquele filme O escritor fantasma, contratado para escrever o livro de um político. Já aquele tipo de ghost que Chico Buarque criou em seu livro Budapeste é pura ficção.
SF. Você conhece alguém que escreve ficção como ghost writer? Pode citar o nome.
NN. Essa pessoa não existe, e se existir não pode ser um bom escritor e muito menos sério. Porque, se ele fosse mesmo bom, já teria se lançado como autor de livros de ficção.
SF. Qual é o gênero mais difícil de escrever para um ghost writer?
NN. Depois que se pega experiência, nenhum gênero é difícil. Basta ouvir o autor com atenção, e estar disposto a aprender sobre aquele tema. É o autor que tem que dominar o assunto, não o ghost, entende? Por isso ele foi convidado pela editora a escrever um livro, e não o ghost.
SF. Quem você considera o maior ghost writer na história?
NN. Não sei se daria para responder isso porque essa atividade, embora antiga, por muitos anos viveu cercada de mistério. No mundo todo, grandes escritores trabalharam como ghost writers como profissão paralela. Aqui no Brasil muita gente boa exerceu (e continua exercendo) essa atividade, mas prefere não divulgar. Basta entrar numa grande livraria, olhar aqueles livros todos nas prateleiras e se perguntar: tanta gente assim saberia escrever, de fato, um livro?
Mas tivemos, por exemplo, Autran Dourado e Clarice Lipector que sempre admitiram. Atualmente essa atividade já está começando a perder a mistificação e grandes presidentes de empresas (autores de livros) já falam entre si: “Vou te apresentar a minha ghost”…rs
SF. Você poderia citar algum livro que escreveu? Quantos livros você escreveu como ghost writer?
NN. Por questão de contrato, não posso revelar publicamente os livros que ajudei a tornar realidade, mas já estou beirando o vigésimo, vários já em segunda ou terceira edição, o que é prova que funcionaram bem. Tenho o maior orgulho de todos eles.
SF. Como está o mercado para a profissão no Brasil? E no Exterior?
NN. Está em franco desenvolvimento, basta saber que os dois gêneros mais vendidos aqui são autoajuda e biografias. As pessoas gostam de saber das histórias de seus ídolos, pois isso as estimula a crescer e a se superarem, e isso não vai mudar. Assim, cada vez mais as editoras vão precisar contar com um bom cartel de ghosts eficientes. Por isso, cada vez mais aumenta a procura por esse tipo de capacitação. O mesmo acontece nos outros países.
SF. Em média, quanto ganha uma ghost writer?
NN. Não posso falar de valores, até porque os preços variam de acordo com o grau de dificuldade e o tempo a ser despendido em cada livro, mas garanto que um ghost writer experiente trabalha muito duro, fica meses e meses trabalhando direto sobre uma obra, mas ganha muito bem por isso.
SF. O que você aconselharia para um escritor que deseja trilhar o caminho do Ghost writer?
NN. Primeiro, resolva seu ego. Segundo, leia, leia muito, mas leia como escritor, tentando ver como os autores estruturaram as suas narrativas. Terceiro: estude, capacite-se. E quarto: divirta-se, porque você só conseguirá ser feliz nessa profissão se gostar mesmo de escrever e mergulhar na vida do outro.

Entrevista

Ghost-writers sempre existiram, mas antigamente era proibido se falar
a respeito, quase um tabu. Embora grandes escritores tenham se dedicado
a essa atividade como meio de sobrevivência, como Clarice Lispector e
Autran Dourado, por exemplo, eles nunca puderam admiti-lo publicamente.

Com o incremento do mercado editorial, mais personalidades passaram
a ser convidadas a escrever seus livros, mas elas nem sempre têm
tempo ou habilidade para fazê-lo, e precisam de ajuda, o que levou o
trabalho do ghost ser cada vez mais valorizado e reconhecido.

Quer saber como isso funciona? Aqui a entrevista que dei para o
programa “Opinião Livre”, da TV Unip (Canal Univesitário) que foi ao ar
na semana passada. Nele, a simpática apresentadora Silvia Vinhas me faz
as perguntas que muita gente gostaria de fazer.